sábado, 26 de novembro de 2011


As Preocupações Sociais na Literatura e na Arte

As vanguardas artísticas já estudadas previamente (o Fauvismo, Expressionismo, Cubismo, Abstraccionismo, Surrealismo e Dadaismo), tendo nas primeiras décadas do século XX revolucionado o conceito de Arte até à data conhecido pela Europa, foram substituídas por um género de Arte relacionada com as preocupações de carácter social ou Neo-Realista acompanhada por uma vertente figurativa nas artes plásticas. É importante salientar, ainda, que as vanguardas artísticas do século XX deram lugar a esta nova arte num clima de fadiga em relação à incerteza face à originalidade das obras e à excessiva especialização das pesquisas, facto que conduzia à incompreensão por parte do público.

A relação entre o carácter social da Literatura e das Artes nos anos 30 com o contexto político e económico que vigorava na época

Vários foram os motivos, tanto a nível político como a nível económico, que levaram a que os artistas da época se manifestassem:


A nível literário :

1.       Os graves problemas económicos provocados pela Grande Depressão dos anos 30, indignaram os escritores que viveram durante esse período, motivando-os então a escreverem obras relativas a este difícil período da história. Um desses escritores é John Steinback, já conhecido nosso, que escreveu “As Vinhas da Ira”, um livro que aborda a situação miserável de uma família Americana cuja base de sustento era a agricultura e que, com toda a mendicidade provocada pela crise dos EUA e ainda com as dificuldades climáticas (tempestades de areia), partiu para a Califórnia em busca de emprego;
2.       Ernest Hemingway, tendo sido afectado por toda a ameaça Fascista quando lutou na Guerra Civil Espanhola contra os Falangistas, recontou no seu romance “Por Quem os Sinos Dobram” os episódios mais marcantes da guerra:

Excerto da obra “Por quem os Sinos Dobram”:


"O fanatismo é uma coisa singular. Ser fanático requer absoluta certeza de que está correcto, e nada estimula a certeza e a correcção como a castidade. A castidade é a inimiga da heresia. 

– Não – disse Pablo. – Não é verdade. Se todos tivessem morto os fascistas como eu matei, não estaríamos nesta guerra. Mas não deixaria acontecer como aconteceu.

– Por quê que você diz isso? – Perguntou Primitivo. – Está a mudar a sua política? – Não. Mas aquilo foi uma barbaridade – disse Pablo. – Naquele tempo eu era muito bárbaro.
– E hoje você é um bêbado – disse Pilar.
– Sou – disse Pablo.
– Com a sua permissão. – Gostava mais de si quando era bárbaro – disse a mulher. – De todos os homens, o bêbado é o mais idiota. O ladrão, quando não está a roubar, é igual a qualquer outro. (…)"
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3.       Já no teatro, o dramaturgo e poeta Bertolt Brecht tinha como principal objectivo provocar o leitor de modo a que este fosse “obrigado” a participar criticamente na obra.
Brecht retratou maioritariamente as consequências sociais e financeiras causadas pela ascensão do Nazismo ao poder nas suas peças, causando uma sensação de perplexidade no público.

   A nível artístico:

1.       Otto Dix, motivado pelos problemas causados devido ao pós-guerra, representava na tela os soldados que haviam sido gravemente feridos graças à participação no conflito mundial (1ª Guerra Mundial);

Figura 1 - Pintura de Otto Dix 


2.       A Grande Depressão era representada na tela pelo grupo American Scene e a nova política económica levada a cabo por Roosevelt (o presidente dos EUA na época) - o New Deal-, era retratado nos muros de edifícios públicos por Diego Riviera, representante da arte mural mexicana;
                    
    Figura 2 - Mural de Diego Riviera 



3.       Devido às inúmeras infracções relativamente aos Direitos Humanos, Pablo Picasso, pintou uma das suas obras mais conhecidas nos dias de hoje: a Guernica. E porque a pintou? Pintou-a graças a toda a frustração que sentia causada pela invasão dos Nazis à cidade de Guernica, durante a Guerra Civil Espanhola (visto que tinha sido a cidade mais afectada pela guerra);

Figura 3 - “Guernica” de Pablo Picasso 

Contudo, ainda que as situações acima referidas fossem bastante revolucionárias em relação à Arte dos anos 30, o período decorrente entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial não foi favorável para os artistas: a ousadia de correntes como o Futurismo, que em meados do século XX havia enaltecido a guerra, era vista como um insulto face às pessoas que tinham lutado e sofrido na guerra.

A Arquitectura, arte da colectividade

Tal como foi dito anteriormente, o período entre o primeiro e o segundo conflitos mundiais, ou seja entre 1919 e 1939, teve implicações no que diz respeito à Arte e à Literatura. Contudo, não foram as únicas a sofrer marcas profundas: a Arquitectura também as sofreu.
Visto que a Europa havia sido palco de guerra no primeiro conflito mundial, havia a necessidade de a reconstruir para que os cidadãos não ficassem desalojados. Deste modo, ambicionava-se a construção de grandes edifícios com capacidades para suportar os habitantes sob a condição de estas serem de carácter simples e digno e que não fossem demasiado caras, pois a Europa ainda estava a recuperar dos gastos dispensados na 1ª Guerra. É neste contexto que se criava um ambiente propício às pesquisas dos arquitectos face ao que se considerava mais necessário em cada comunidade.
Chegou-se à conclusão, em pleno século XX, que havia uma grande necessidade de se rejeitar por completo a faceta decorativa excessiva das estruturas arquitectónicas concebidas no século XIX (sendo marcadas pela falta de estilo próprio), substituindo-as por planeamentos arquitectónicos que extrema confiança e minuciosamente racionalizado.

O surgimento e caracterização do Funcionalismo arquitectónico

No seguimento de todo este raciocínio, durante a primeira metade do século XX, tanto a arquitectura como o urbanismo sofreram uma revolução surpreendente: a criação do Funcionalismo arquitectónico.
Para além de tudo o que já referi anteriormente, outro dos motivos que acabou por levar a que o mundo, no geral, sofresse diversas inovações foi a Segunda Revolução Industrial, no século XIX. A implementação de novos materiais como o ferro, o aço, o betão e o vidro nas fábricas fez com que, finalmente, se criasse um alerta face à construção de habitações com qualidade para os operários.
 A partir deste conceito de habitações para o operariado, foi-se construindo, com o passar dos tempos, um novo conceito. Isto pode-se comprovar através de um exemplo que se veio a mostrar determinante para a formação do conceito: a fundação de uma escola na Alemanha, designada por Bauhaus, que tinha como princípio a junção da arquitectura com a escultura, fazendo com que se estudasse maioritariamente a relação entre a forma e a função na produção tanto de objectos como na produção de edifícios e habitações arquitectónicos.
A Bauhaus, devido aos conteúdos inovadores que abordava, foi extremamente influente tanto na design como na arquitectura do século XX.

Figura 4- A escola Bauhaus, fundada por Walter Gropius

Entretanto, da relação entre a forma e a função é criada a Arquitectura Moderna sob a perspectiva funcionalista, conhecida também por Primeiro Funcionalismo.
Destaca-se, relativamente a este concepção, o arquitecto francês Le Corbusier, defensor assumido do Funcionalismo/Racionalismo.
Tanto Walter Gropius como Charles- Édouard Jeanneret (Le Corbusier) são considerados os fundadores da arquitectura moderna.

Os princípios do Funcionalismo, apoiados por Le Corbusier, eram baseados:


No sentido prático dos espaços e na renovação da sua concepção, que consistia na utilização do Homem como escala para a construção de uma casa e que esta deve ter sempre ter em conta a vida que tem dentro dela (“ter uma casa prática como uma máquina de escrever”);
No volume simples do exterior, ou seja a casa em si, (“os cubos, os cones, as esferas, os cilindros ou as pirâmides são as grandes formas primárias que a luz tão bem revela”);
Na rejeição de elementos simplesmente decorativos face à cobertura do edifício, visto que as paredes lisas, na sua maioria brancas, eram a marca das construções Funcionalistas (“Não há que envergonhar-se (…) por ter paredes lisas como placas de chapa”);
     - Na utilização de betão ou cimento armado para que se pudesse construir janelas muito grandes (“janelas semelhantes às das fábricas”);
-   - Na transformação de coberturas planas em terraços com o intuito de se obter mais luz e mais espaço no interior;



Figura 5- Exemplo de uma construção de Le Corbusier

Na sustentação de um edifício em colunas (pilares) para dar a ilusão de suspensão face ao jardim que se encontra por baixo;
Na criação de plantas de carácter livre para que houvesse flexibilidade em relação aos espaços interiores mas que, em simultâneo, houvesse um geometrismo perfeito. O arquitecto apenas definia o que era estritamente necessário.

            Figura 6- Planta elaborada por Le Corbusier 

Citação de Le Corbusier
“A arquitectura é o jogo sábio, correcto e magnífico dos volumes dispostos sob a luz.”

As preocupações urbanísticas

Sendo que a maior parte das cidades do século XX eram compostas por uma diversidade de aglomerados, Le Corbusier e outros arquitectos e funcionalistas urbanistas focaram-se na organização racional da cidade: no ano de 1928 foram feitos debates acerca da arquitectura e do urbanismo, facto que levou à criação da Conferência Internacional de Arquitectura Moderna (CIAM).
Depois desta primeira conferência, várias se sucederam de forma a que se abordasse um tema diferente em cada uma delas: em 1933 “A Cidade Funcionalista”, orientada por Le Corbusier, mereceu total atenção.
Fruto das bem sucedidas conclusões da conferência, foi criado um guia do urbanismo funcionalista designado por Carta de Atenas, que tinha como principais funções:


- Garantir “moradias saudáveis” com “espaço, ar puro e sol”, portanto habitar;
Trabalhar “organizar os locais de trabalho”; 
Criar condições para a “boa utilização das horas livres” para que se recrie o corpo e o espírito; 
Criar uma “rede circulatória”, ou seja função circular.

Ainda que inicialmente estas funções fossem vistas sob um olhar demasiado racionalista, a Carta de Atenas conseguiu impor todas as questões sociais no centro do planeamento urbano.


O segundo Funcionalismo

Apesar de todo o percurso feito pela arquitectura funcionalista, por volta da década de 30, esta começou a ser fortemente questionada e ser alvo de fortes acusações: achavam-na demasiado rígida, de ter planos de edifícios sem qualquer personalização que se assemelhavam a muros de betão armado compostos por filas de janelas enormes.
Deste modo, este novo estilo arquitectónico havia perdido a sua faceta inovadora, facto que levou a que arquitectos da época apostassem num novo estilo arquitectónico mais humanizado e racionalista: a arquitectura orgânica.
Assim, Frank Lloyd Wright, um arquitecto americano que foi o principal fundador deste novo estilo, desenvolveu diversos projectos que consistiam na harmonização tanto da arquitectura como da natureza humana. Contudo, ainda que este novo tipo de arquitectura fosse considerado um segundo funcionalismo, não seguia sempre os princípios impostos no primeiro funcionalismo e tentava procurar uma outra alternativa para um caso específico.
Segundo Wright, a arquitectura orgânica “não nega o funcionalismo mas liberta-se dos seus dogmas”. Com uma vertente mais ligada ao Homem, este novo funcionalismo funde-se com a natureza possibilitando uma conexão entre ambos.

 Figura 7- Casa Kaufmann (Falling Water) “congelada” de Frank Lloyd Wright

Fontes utilizadas:

Manual “O Tempo da História A” – 1ª Parte, 12º ano
Livro “Guia de estudo História A 12º ano” – Porto Editora
Imagens – Google Imagens


Trabalho elaborado por: Francisca Vasconcelos nº16

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